O Ambiente Ideal  
  Por: Aroldo Borges  
 





 

Seca no sertão da Bahia. Nesse período o sofrimento é geral: a vegetação é castigada pela falta de chuva e pelo sol intenso, de modo que as árvores menos adaptadas morrem; os bichos penam em busca de água e de comida, e os fracos e menos resistentes desaparecem; os homens lutam para sobreviver e conservar os seus bens, não perdendo a fé em Deus.

Não é muito raro a seca acometer os sertanejos. E foi num desses tempos de angustia e fé, por volta de 1951, que eu tomei uma atitude: salvar os jabutis – da espécie Geochelone carbonaria. Nessa época eu tinha 10 anos e sofria com asma, e há uma crença popular de que os jabutis curam pessoas asmáticas. E sempre que eu andava pelo mato e encontrava um desses animais, levava para casa evitando que eles morressem. Até mesmo porque havia muitas queimadas e os jabutis não são ágeis o suficiente para se livrarem do fogo. E quanto a asma? Fiquei curado, não sei se por ironia ou para comprovar a crença popular.

A partir daí, comecei a ser um criador de jabutis. Nesse tempo eu morava na Fazenda Jenipapo, propriedade do meu pai. E desde então passei a amar os animais que crio. Os jabutis contribuíram muito para o meu sentimento, pois são animais super dóceis e de fácil criação.

E já se passaram 50 anos desde os meus primeiros jabutis e esse tempo todo me dedicava a repor parte dos filhotes da minha produção à natureza, nas terras da Fazenda Jenipapo. Mas todos esses anos fizeram de mim o primeiro criador desses animais e me deu experiência suficiente para produzir excelentes exemplares. Esses exemplares, atualmente, são disponíveis ao público que aprecia, como eu, jabutis. Pois sou um criador legalizado junto ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão governamental encarregado de preservar a nossa fauna e flora, e isso me possibilita a comercialização de filhotes de jabutis através do Criadouro Comercial Santa Rita, de minha propriedade.

O referido Criadouro fica localizado no Sítio Santa Rita, no município de Baixa Brande – Bahia – Brasil. Nesse sítio, possuo um pomar com diversas frutas: cajá, siriguela, goiaba, banana, entre outras. Além de palma e leguminosas. A finalidade é servir de alimento e sombra para os jabutis. Atualmente exporto filhotes para várias partes do mundo. Esses filhotes são da espécie Geochelone carbonaria , e futuramente também haverá filhotes da espécie Geochelone denticulata.

O Criadouro, que representa criação em cativeiro, veio para concretizar um sonho: além de haver retorno financeiro, possibilita a preservação dos jabutis, o que é mais importante.


 

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